
Confira evidências científicas sobre as práticas utilizadas no parto normal
O Ministério da Saúde, com a participação da Febrasgo e da ABENFO publicou uma classificação das práticas durante o parto normal com as melhores evidências disponíveis. A ANS recomenda que essa classificação seja usada como referência, sujeita a revisões críticas periódicas, considerando o acompanhamento de novas evidências.
(fonte: Parto, Aborto e Puerpério: Assistência Humanizada à Mulher Ministério da Saúde, Febrasgo e ABENFO Brasília, DF, 2001)
Práticas no parto normal demonstradamente úteis e que devem ser
Estimuladas
» Planejamento individual determinando onde e por quem o parto
será realizado.
» Avaliação de risco durante o pré-natal, reavaliado a cada
contato e no momento do trabalho de parto.
» Monitoramento do bem-estar físico e emocional da mulher
durante o trabalho de parto.
» Oferecimento de líquido por via oral durante o trabalho de parto.
» Respeito à escolha da mulher sobre o local do parto.
» Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico
onde o parto for seguro.
» Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto.
» Apoio emocional pelos prestadores de serviço durante o trabalho
de parto e parto.
» Respeito à escolha da mulher sobre seus acompanhantes durante
o trabalho de parto.
» Fornecimento às mulheres de todas as informações e explicações
que desejarem.
» Métodos não invasivos e não farmacológicos de alívio da dor,
como massagens e técnicas de relaxamento, durante o trabalho
de parto.
» Monitoramento fetal por meio de ausculta intermitente e
vigilância das contrações uterinas por palpação abdominal.
» Uso de materiais descartáveis e descontaminação adequada de
reutilizáveis.
» Uso de luvas no exame vaginal, no parto e no manuseio da
placenta.
» Liberdade de posição e movimento durante o trabalho de parto.
» Estímulo a posições não supinas durante o trabalho de parto.
» Monitoramento cuidadoso do progresso do trabalho de parto, uso
do partograma.
» Administração profilática de ocitocina no terceiro estágio do
parto em mulheres com risco de hemorragia pós-parto.
» Condições estéreis ao cortar o cordão.
» Prevenção da hipotermia do bebe.
» Prevenção da hemorragia neonatal com o uso do vitamina K.
» Prevenção da oftalmia gonocócica com o uso de nitrato de
prata ou tetraciclina.
» Contato cutâneo direto, precoce entre mãe e filho e apoio ao
início da amamentação na primeira hora após o parto.
» Alojamento conjunto.
» Suprimir a lactação em mães portadoras de HIV.
» Exame rotineiro da placenta e membranas ovulares.
» Uso rotineiro de ocitocina, tração controlada do cordão, ou sua
combinação, durante o terceiro estágio do parto.
Práticas no parto normal claramente prejudiciais ou ineficazes e que
devem ser eliminadas
» Uso rotineiro do enema.
» Uso rotineiro da tricotomia.
» Infusão intravenosa de rotina no trabalho de parto.
» Cateterização venosa profilática de rotina.
» Uso rotineiro da posição supina durante o trabalho de parto.
» Exame retal.
» Uso de pelvimetria por raios X.
» Administração de ocitócicos antes do parto de um modo que não se
permita controlar seus efeitos.
» Uso rotineiro da posição de litotomia.
» Esforços de puxos prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva)
durante o segundo estágio do trabalho de parto.
» Massagem e distensão do períneo durante o segundo estágio do
trabalho de parto.
» Uso de comprimidos orais de ergometrina no terceiro estágio do
trabalho de parto com o objetivo de evitar hemorragia.
» Uso rotineiro de ergometrina por via parenteral no terceiro estágio do
trabalho de parto.
» Lavagem uterina rotineira após o parto.
» Revisão (exploração manual) rotineira do útero após o parto.
» Uso liberal ou rotineiro da episiotomia.
» Toques vaginais freqüentes e por mais de um examinador.
» Manobra de Kristeller ou similar, com pressões inadequadamente
aplicadas ao fundo uterino no período expulsivo.
» Prática liberal de cesariana.
» Aspiração nasofaríngea de rotina em recém-nascidos normais
» Manutenção artificial de ar frio na sala de parto durante o
nascimento.
Práticas no parto normal em que não existem evidências para apoiar
sua recomendação e devem ser utilizadas com cautela até que novas
pesquisas esclareçam a questão
» Métodos não farmacológicos de alívio da dor durante o trabalho de
parto, ervas, imersão em água e estimulação de nervos.
» Pressão no fundo uterino durante o período expulsivo.
» Manobras relacionadas à proteção ao períneo e do polo cefálico no
momento do parto.
» Manipulação ativa do feto no momento do parto.
» Clampeamento precoce do cordão umbilical.
» Estimulação do mamilo para aumentar a contratilidade uterina
durante o terceiro estágio do parto.
Práticas no parto normal freqüentemente utilizadas de modo
inadequado
» Restrição hídrica e alimentar durante o trabalho de parto.
» Controle da dor por agentes sistêmicos.
» Controle do dor por analgesia peridural.
» Monitoramento eletrônico fetal.
» Uso de máscara e aventais estéreis durante a assistência ao
trabalho de parto.
» Exames vaginais repetidos ou freqüentes, especialmente por mais
de um prestador de serviço.
» Correção do dinâmica uterina com a utilização de ocitocina.
» Amniotomia precoce de rotina no primeiro estágio do parto.
» Transferência rotineira do parturiente para outra sala no início do
segundo estágio do trabalho de parto.
» Caracterização do bexiga.
» Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical
completa, antes que a própria mulher sinta o puxo.
» Adesão rígida a uma duração estipulada do segundo estágio do
trabalho de parto, se as condições da mãe e do feto forem boas e
se houver progressão do trabalho de parto.
» Parto operatório.
» Exploração manual do útero após o parto.
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