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Pesquisa médica sobre assistência obstétrica na saúde suplementar

A Comissão de Parto Normal, composta pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Conselho Federal de Medicina (CFM), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), está realizando uma pesquisa entre ginecologistas e obstetras com o objetivo de conhecer a percepção desses profissionais sobre o parto normal, bem como identificar as razões pelas quais o índice de cesarianas é tão elevado no setor de saúde suplementar.

Clique aqui e leia a notícia completa no site da ANS


O ponto-chave para a redução do número de partos cesáreos é o trabalho em equipe

A professora Francis Day-Stirck, do Royal College of Midwives, do Reino Unido, esteve no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de novembro de 2009 para participar do Movimento Internacional pelo Parto Normal, evento cujo tema foi: “A importância da atuação do profissional de enfermagem na política para redução da mortalidade materna e neonatal”. Durante sua passagem pelo Brasil, teve a oportunidade de dar o seu depoimento para a campanha Parto normal está no meu plano.

Do ponto de vista da experiência inglesa, o que poderia ser feito para reduzir o alto nível de cesáreas no Brasil?

Acho que em relação às conquistas no Reino Unido, o ponto-chave é o trabalho em equipe. Enfermeiras, obstetras e as mulheres precisam conversar entre si.  Identificar por que esse índice é tão alto, se precisa ser tão alto, e se não, como pode ser reduzido. Depois, é preciso ver com muito cuidado quais são as indicações reais para o parto cesáreo e em que situações esse tipo de parto tem sido indicado.

Temos que ter essa preocupação no setor privado, no Brasil, que possui índices de partos cesáreos em torno de 89%, enquanto na saúde pública está abaixo de 20%. Por que essa diferença? Deve haver diferenças nos procedimentos. O que se pode aprender dos estabelecimentos que têm índices mais baixos de partos cesáreos e aplicar naqueles com altos índices?  Porque se não há ganhos reais para as mulheres e bebês, as cesarianas não devem ser recomendadas. Se todos trabalharem juntos, isso trará resultados reais.


RDC nº 36/ Anvisa - Mudanças em estabelecimentos de saúde para melhor atender às gestantes

O sucesso de medidas para a redução das altas taxas de cesariana do setor suplementar de saúde dependerá do envolvimento de diversos segmentos da sociedade. Os serviços de atenção obstétrica e neonatal têm papel fundamental nesta mudança, pois a ambiência do local onde é prestada assistência à parturiente influencia diretamente no tipo de parto.

Considerando este aspecto, a ANVISA publicou a RDC 36 que estabelece um pacote de mudanças que estabelecimentos de saúde públicos e privados têm de promover para melhor atender as gestantes. A resolução, divulgada em julho de 2008, entrou em vigor em dezembro do ano passado. Embora as maternidades não fossem obrigadas a modificar as suas instalações imediatamente, alterações nos processos de trabalho e organização da assistência teriam de ser colocadas em prática em um prazo de 180 dias.

Além de estimular o parto normal, as medidas (veja resumo no quadro) também pretendem aumentar a segurança durante o procedimento e a internação, a fim de reduzir a mortalidade materna e neonatal. Os objetivos são humanizar o parto e promover mudanças estruturais, que só precisarão ser realizadas quando houver reforma ou ampliação do espaço.

A Resolução

A norma da Anvisa estabelece direitos da gestante e mudanças estruturais que devem ser feitas nos estabelecimentos de saúde.

Direitos da gestante

  • Pode contar com a presença de um acompanhante de livre escolha em todas as etapas do parto.

  • Deve ter acesso a métodos não farmacológicos e não invasivos de alívio à dor e de estímulo à evolução fisiológica do parto.

  • Escolher em que posição quer realizar o parto, desde que não existam impedimentos clínicos.

Deveres do estabelecimento

  • Oferecer um quarto para partos com cama especial e banheiro anexo.

  • Disponibilizar área para movimentação ativa da mulher, quando não existirem impedimentos clínicos.

  • Fornecer um alojamento conjunto de mãe e bebê desde o nascimento.

Outra determinação da RDC é que os serviços passem a monitorar indicadores para avaliação dos serviços de atenção obstétrica e neonatal e mantenham os resultados disponíveis para verificação pelas vigilâncias locais. Veja a lista de indicadores:

Indicadores de gestão

Método de cálculo

Freqüência de produção

Média de permanência de puérperas

Total de pacientes-dia puérperas/Total de saídas de puérperas

Mensal

Indicadores de processo

Método de cálculo

Freqüência de produção

Taxa de cesárea

Nº. de cesáreas/ Total de partos x 100

Mensal

Taxa de cesárea em primíparas

Nº. de cesáreas em primíparas/ Total de partos em primíparas x 100

Mensal

Taxa de episiotomia

Nº. de partos normais

com episiotomia/ Total de partos normais x 100

Mensal

Taxa de partos com acompanhante

Nº. de partos com acompanhante/ Total de partos x 100

Mensal

Indicadores de resultado

Método de cálculo

Freqüência de produção

Taxa de mortalidade neonatal precoce

Nº. de óbitos neonatal

precoce / Total de nascidos

vivos x 1000

Mensal

Taxa de infecção puerperal relacionada a partos :

normais

cesáreas

a) nº de infecções puerperais / nº de partos normais x 100

b) nº de infecções puerperais / nº de partos cesáreas x 100

Mensal

(*)Republicada por ter saído com incorreção no original, publicada no Diário Oficial da União nº 105, de 4 de junho de 2008, Seção 1, Pág. 53.

Leia na íntegra o conteúdo da RDC 36 e seu anexo

Fontes:

Gazeta do Povo

Anvisa

 

» Pesquisa médica sobre assistência obstétrica na saúde suplementa
» O ponto-chave para a redução do número de partos cesáreos é o trabalho em equipe
» RDC nº 36/ Anvisa - Mudanças em estabelecimentos de saúde para melhor atender às gestantes