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O poder da transformação através da informação

novembro de 2009

Me encontro à espera de Luísa, que chegará em dezembro.Tenho 27 anos, sou psicóloga e confesso nunca ter me preocupado com o universo da maternidade.
Com a gestação, muita coisa mudou em minha vida e com isso, as preocupações. A princípio estava decidida por cesárea, mas sinceramente não era nada consciente, pois pouco me informei a respeito e me deixava levar pelo mais comum.
Com evolução da gestação e também pela influência de uma “amiga-comadre”, fui pesquisando em diversas fontes e descobri grandes parcerias pela forma natural do nascimento. Hoje estou plena e convicta de minha escolha: darei à minha filha o direito de nascer da forma mais digna possível.

Além de me encantar pelos benefícios do parto natural, o que me levou a escolher foi o fato de me apoderar, de me apropriar do que é meu, pois o parto é da mãe e do bebê e não devemos deixar algo tão maravilhoso nas mãos de outras pessoas. Hoje, já busquei novas parcerias que me apoiam, uma equipe que estará respeitando minhas escolhas e um universo acolhedor pra vinda de Luísa.

Mais segura e feliz com a transformação que a informação pode proporcionar, minhas expectativas são as melhores, e com isso aprendi que toda escolha deve ser consciente, baseada em informação e, principalmente, que façam sentido em nossa vida.

Juliana Mogrão Moreira - Psicóloga     
33 semanas de gestação


É importante conhecer o médico e ter confiança nele

julho de 2009

Sempre quis ser mãe. Pensava em esperar o momento ideal. Dois fatores eram importantes para mim nessa decisão: estar trabalhando e a questão da idade, porque todo mundo fala que depois de um tempo fica mais difícil, que a gravidez se torna de risco.

Depois de um tempo, eu e meu marido já estávamos trabalhando e conseguimos começar a pagar uma casa própria. Decidi conversar com o César: “Será que está na hora? Tenho 32 anos, nunca tentamos ter filhos... Será que temos algum problema? Será que precisaremos de algum tratamento?”. Depois dessa conversa, decidimos parar de usar preservativos. Após 3 meses, fui à médica para fazer um preventivo e comentei que havia parado de evitar. Ela pediu exames para fazer uma investigação. Logo depois, minha menstruação não veio, fiz o teste e o resultado foi positivo. Engravidei! Não esperava que fosse ser tão rápido, imaginei que ia ter alguma dificuldade...

Só em torno do 5º mês é que eu e a médica conversamos sobre a forma do parto, para tirar dúvidas. Tinha ouvido algumas pessoas falarem sobre anestesia no parto normal, por exemplo. A médica explicou que a anestesia é possível a partir de um determinado momento, o que não isenta de dores. Meu maior temor é com relação à dor mesmo – todo mundo fala da dor, mas não tenho idéia da intensidade dela. Isso causa uma certa apreensão. Mesmo com medo da dor, não é esse o fator que me levaria para a cesárea, a minha intenção sempre foi ter parto normal. Quando falam em parto cesárea, falam da dor e da recuperação difícil, ninguém fala em benefícios para o bebê. Já percebi que tem muitos benefícios possíveis para o bebê no parto normal, como o desenvolvimento do pulmão do bebê e a sua relação com a amamentação.

O importante mesmo é a confiança no médico: já vi casos de pessoas que estavam se preparando para o parto normal e, na hora, o médico colocou um problema para ganhar tempo para fazer vários partos. A pessoa fez cesárea sem precisar dela. É importante conhecer o médico e ter confiança nele, porque se na hora houver algum problema, é o médico que pode avaliar o que é melhor para a mãe e o bebê.

Espero que corra tudo bem no parto, estou torcendo para que seja normal, mas também tenho tentado me preparar para o caso de haver algum imprevisto. Quero que a minha filhota chegue em um momento bom, a família está todo ansiosa esperando a chegada dela!

Simone de Souza - secretária
32 semanas de gestação


À espera de Daniel

julho de 2009

Sou Lucimar Gonçalves Campos, 31 anos, casada com Diego, pedagoga, trabalhando no ramo da Educação há mais de 10 anos. Venho de uma numerosa família com várias mulheres. Entre as peculiares histórias de vida de minha família, tenho a de minha avó materna, Eva, falecida aos 90 anos, como um significativo exemplo. Essa mulher guerreira teve dez filhos (5 homens e 5 mulheres) todos nascidos de partos normais. Um verdadeiro exemplo da difícil e maravilhosa tarefa de ser mãe. Para ela, as condições socioeconômicas nada satisfatórias não foram empecilhos para termos hoje uma linda família com vários exemplos de “mulheres-mães” - verdadeiras heroínas.

Dentro desse contexto, hoje grávida pela segunda vez - a primeira aconteceu no final do ano passado (2008), quando perdi o bebê com um pouco menos de três meses completos de gravidez - trago em meu ventre uma esperança de vida renovada e feliz: Daniel. Estamos todos, eu, meu marido, nossas famílias e amigos, muito contentes com a vinda desse lindo bebê, com cada acontecimento desde que soubemos, inesperadamente, que eu estava grávida novamente. Descrevo a gravidez como um momento único: repleto de alegrias, amadurecimento e plenitude. Daniel já está a caminho com tanta força, luz e bênçãos que eu e meu marido estamos sentindo muito fortemente as mudanças já causadas pela feliz tarefa de criarmos, educarmos e amarmos um filho. É divino. É um momento de festa e de mudanças positivas, [onde] quando amadurecer e crescer são necessários e parte integrante, inexorável de nossas vidas. Estamos sentindo uma mudança interior muito intensa.

Para que o momento único da chegada de Daniel seja perfeito, tenho procurado me informar melhor sobre as formas de parto. E estou muito esperançosa de que o meu filho nascerá através do método melhor para ele e para mim: o parto normal. Estou fazendo o pré-natal e cuidando da minha gravidez com muito carinho e dedicação de forma que eu não tenha nenhum contratempo que impeça a minha vontade e do meu marido de termos um parto muito saudável, isso porque ele também está "grávido". Meu marido está curtindo cada momento e percebendo a sua mudança interior, também contribuindo para cada decisão tomada. Estou muito certa de minha decisão e conto com o apoio do meu médico. Estou na vigésima segunda semana e meu filho está crescendo... A natureza é perfeita e harmônica com a Criação. Uma nova vida já existe em mim e a cada semana mudanças são vistas, o que sustenta a nossa fé e renova o sentido de nossos caminhos.

Lucimar - contadora
22 semanas de gestação


O desejo pelo parto natural

julho de 2009

Tato e Pat e, na barriga, Tito

Meu nome é Patrícia, tenho 31 anos, sou socióloga, trabalho em uma organização não-governamental, moro em Niterói, sou casada e estou grávida de 34 semanas do Tito. Antes de engravidar, no início do ano, nunca tinha pensado muito sobre parto. Na verdade, isso sempre pareceu uma realidade muito distante. Eu nasci de cesárea e minha mãe sempre me contou que isso aconteceu porque “eu estava passando da hora”, ela não teve contrações e, em uma consulta, no final da década de 1970, o médico encaminhou minha mãe para a cirurgia porque eu estaria entrando em sofrimento fetal. Tudo o que eu sabia sobre parto até engravidar se resumia a essas memórias contadas pela minha mãe e ao que eu via na televisão, lia em livros e revistas, enfim, tudo o que a gente consome e acaba aprendendo que é o certo porque é o que todo mundo faz. E, é claro, entre essas muitas coisas que vemos e ouvimos está a dor, a dor insuportável do parto.

Hoje, ainda não posso contar nada sobre o parto do Tito, meu filho que deve chegar no início de setembro, nem sobre as dores (ou não) de seu parto. Mas posso dizer que sou uma pessoa com uma visão e uma posição sobre o assunto. Desde que engravidei, comecei a me preparar para o parto e para receber meu filho. Resolvi fazer uma aula de yoga direcionada para gestantes (já praticava antes) e lá me deparei com pessoas que ajudaram a criar a ReHuNa – Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento. Através delas e de outras gestantes que já eram mães, tive acesso a outro tipo de informação. Informações que me diziam, sobretudo, que, apesar das muitas semelhanças, os partos e trabalhos de parto são muito diferentes entre si. As sensações, sentimentos, medos, dores e alegrias vividas nesse processo são distintas, afinal, se as mulheres não são todas iguais, por que nossos partos deveriam ser?! Se eu já não queria uma cesárea como primeira opção (o que me fez abrir mão de minha ginecologista há 15 anos logo que soube que estava grávida!), acabei resolvendo que meu parto normal seria o menos medicalizado possível.

Isso significa dizer que eu só aceitaria os procedimentos obstétricos que aqui no Brasil dizem ser de rotina, se fossem imprescindíveis e isso teria a ver com minha trajetória durante a gestação, mas também com o processo do trabalho de parto. Resumindo: eu não queria decidir aos 5 ou 6 meses de gravidez se eu iria ou não fazer uso de ocitocina ou da analgesia no meu parto! Acho que esses recursos – assim como a cesárea – devem ser usados em caso de risco ou necessidade. Mas acho também que as mulheres gestantes precisam ser tratadas com dignidade e respeito. Nós temos o direito de saber o que o médico pretende fazer durante o nosso parto e ter acesso a informações variadas que nos permitam decidir com ele o que queremos. Algumas dessas decisões podem ser tomadas durante a gravidez (é muito bom pesquisar na Internet, conversar com outras pessoas e fazer o seu plano de parto) e outras na hora do parto. É o acesso à informação qualificada e uma relação de confiança entre médico e paciente que vão tornar essa escolha uma escolha de fato e não algo que “deixamos acontecer” porque, afinal, ele é o médico. É claro que o médico e sua equipe possuem um conhecimento específico e experiência naquilo que estão fazendo, mas, como em todas as áreas, existem muitas formas de atuar profissionalmente e é preciso saber se o médico que escolhemos tem a ver com a forma como nós, mulheres gestantes, queremos realizar esse momento tão marcante e especial.

Ao longo desses meses de gestação, acabei trocando mais uma vez de obstetra porque decidi ter meu filho de cócoras (ou em alguma posição vertical) e buscando a menor medicalização possível. Mas não pensem que isso é fácil. Além de ser uma decisão - por mais apoio que eu tenha de meu marido e de boa parte da minha família - da mulher e, portanto, solitária em certa medida, no Brasil, no setor público e no privado, sobretudo para quem como eu tem plano de saúde, não é fácil conseguir um médico disposto a encarar um parto normal natural (que pode durar muitas horas). Talvez mais difícil ainda seja encontrar um hospital preparado para receber uma gestante que quer fazer um parto que não seja uma cesárea e que seja, além de normal, natural. Mas a escolha por um parto normal, natural, humanizado tem a ver com o que acreditamos ser melhor para nós mesmas e para os(as) nossos(as) filhos(as) e é possível construir caminhos para chegar a essa maior autonomia e a uma opção que vai contra a corrente, levando em conta que o Brasil é, hoje, um dos países que mais fazem cesárea no mundo!

Patricia Lanes
34 semanas de gestação
Autora do blog Ficando Grávida


Não quero colocar meu bebê em risco

julho de 2009

Gabriela e André, à espera de Laura

Sempre foi o sonho do meu marido ter filho. No fundo eu também queria, mas morria de medo de tudo, passando pelo fato da mudança radical de vida e do corpo, até como seria passar por uma gestação, pelo parto e pela educação de uma criança.

Adiei a gravidez o máximo que pude e ela aconteceu assim, meio que de supetão. Quando ouvi pela 1a vez o coração batendo, a minha ficha caiu. Aos poucos, todos os medos que eu tinha passaram e a curtição foi total.

O 1º trimestre foi ruim por causa dos enjoos e enxaqueca. Pensava "onde fui me meter!!!", mas depois que entrei no 2º trimestre, minha disposição voltou e tive uma vida normal até o final da gestação. Claro que normal de acordo com o tamanho da minha barriga! Quanto ao parto, sempre quis parto normal, não por causa da beleza e do encantamento do momento que muitos pintam de cor de rosa, mas sim pelo significado fisiológico do parto normal, tanto para a mãe quanto para o bebê. Como o próprio nome diz, é um processo normal, o organismo da mulher já está preparado para ele. 

Ainda assim, sabia que só conseguiria saber qual parto faria na reta final da gestação, pois a escolha depende da situação em que o bebê e o corpo da mãe se encontram. No meu caso, meu bebê está grande proque tive diabetes gestacional e minha bacia não tem passagem suficiente para ela. Não terei como escapar da cesárea.

Não quero colocar meu bebê em risco. O conselho que dou às futuras mamães é: não se iludam com tudo o que dizem a respeito do parto normal. Claro, tentem ao máximo buscá-lo, mas nunca eliminem outras formas de parto no intuíto de preservar seu bebê e você também.

Gabriela Fernandes


Cesárea, experiência traumática

julho 2009

Sou Isabel, servidora da ANS. Estou com 21 semanas de minha segunda gestação. Minha filha nasceu com 40 semanas por cesárea. Lutei muito para que a cirurgia não acontecesse. Contudo, por não ter formação na área da saúde e pouco conhecimento sobre o processo do parto, minha luta foi em vão.

Por consequência, sofri de depressão pós-parto. Foram 15 dias chorando copiosamente, com minha filha no colo, tentando me aproximar dela. A sensação que tinha era de que a gravidez não havia acabado, como se minha filha ainda não tivesse nascido, pois ainda faltava algo. Faltava o parto, que não ocorreu.

Além do abalo psicológico, sofri de muitas dores físicas. Tomava muitos comprimidos para alívio da dor, mas não surtiam efeito. Dormia encurvada para cima: duas almofadas nas costas e duas nas pernas. A dor era tão intensa que não permitia que eu me levantasse sozinha da cama. Meu marido tinha que levantar todo meu tronco para que eu não fizesse esforço abdominal. Após 52 dias sofrendo de dor, eu decidi não tomar mais remédios, já que de nada adiantavam e minha filha sofria muito de cólica. Talvez fosse por causa dos remédios.

Minha primeira atitude foi me informar. Concluí que a grande maioria das cesáreas acontece por dois motivos: tempo e dinheiro. Um parto natural dura horas ou dias e o pagamento dos honorários médicos é pelo ato do nascimento e não pelo tempo gasto no processo. Minha cesárea aconteceu em 20 minutos e a médica recebeu a mesma remuneração que receberia se tivesse passado horas me acompanhando. Eles querem ganhar dinheiro, e pouco importa o bem-estar da mãe.

Ciente de que havia sido enganada pela obstetra (uma pequena mancha d'água na calcinha já era bolsa rota), troquei de médico. Pesquisei muito, testei e ainda testo os médicos. Desconfio muito. Estou fazendo pré-natal com um médico com cujas ex-pacientes tive contato e confirmaram parto tranquilo, natural ou normal. Hoje, já não me enganam mais.

Maria Isabel Moura de Deus - funcionária pública
21 semanas de gestação

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