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Meu nome é Patrícia, tenho 31 anos, sou socióloga, trabalho em uma organização não-governamental, moro em Niterói, sou casada e estou grávida de 34 semanas do Tito. Antes de engravidar, no início do ano, nunca tinha pensado muito sobre parto. Na verdade, isso sempre pareceu uma realidade muito distante. Eu nasci de cesárea e minha mãe sempre me contou que isso aconteceu porque eu estava passando da hora, ela não teve contrações e, em uma consulta, no final da década de 1970, o médico encaminhou minha mãe para a cirurgia porque eu estaria entrando em sofrimento fetal. Tudo o que eu sabia sobre parto até engravidar se resumia a essas memórias contadas pela minha mãe e ao que eu via na televisão, lia em livros e revistas, enfim, tudo o que a gente consome e acaba aprendendo que é o certo porque é o que todo mundo faz. E, é claro, entre essas muitas coisas que vemos e ouvimos está a dor, a dor insuportável do parto. Hoje, ainda não posso contar nada sobre o parto do Tito, meu filho que deve chegar no início de setembro, nem sobre as dores (ou não) de seu parto. Mas posso dizer que sou uma pessoa com uma visão e uma posição sobre o assunto. Desde que engravidei, comecei a me preparar para o parto e para receber meu filho. Resolvi fazer uma aula de yoga direcionada para gestantes (já praticava antes) e lá me deparei com pessoas que ajudaram a criar a ReHuNa Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento. Através delas e de outras gestantes que já eram mães, tive acesso a outro tipo de informação. Informações que me diziam, sobretudo, que, apesar das muitas semelhanças, os partos e trabalhos de parto são muito diferentes entre si. As sensações, sentimentos, medos, dores e alegrias vividas nesse processo são distintas, afinal, se as mulheres não são todas iguais, por que nossos partos deveriam ser?! Se eu já não queria uma cesárea como primeira opção (o que me fez abrir mão de minha ginecologista há 15 anos logo que soube que estava grávida!), acabei resolvendo que meu parto normal seria o menos medicalizado possível. Isso significa dizer que eu só aceitaria os procedimentos obstétricos que aqui no Brasil dizem ser de rotina, se fossem imprescindíveis e isso teria a ver com minha trajetória durante a gestação, mas também com o processo do trabalho de parto. Resumindo: eu não queria decidir aos 5 ou 6 meses de gravidez se eu iria ou não fazer uso de ocitocina ou da analgesia no meu parto! Acho que esses recursos assim como a cesárea devem ser usados em caso de risco ou necessidade. Mas acho também que as mulheres gestantes precisam ser tratadas com dignidade e respeito. Nós temos o direito de saber o que o médico pretende fazer durante o nosso parto e ter acesso a informações variadas que nos permitam decidir com ele o que queremos. Algumas dessas decisões podem ser tomadas durante a gravidez (é muito bom pesquisar na Internet, conversar com outras pessoas e fazer o seu plano de parto) e outras na hora do parto. É o acesso à informação qualificada e uma relação de confiança entre médico e paciente que vão tornar essa escolha uma escolha de fato e não algo que deixamos acontecer porque, afinal, ele é o médico. É claro que o médico e sua equipe possuem um conhecimento específico e experiência naquilo que estão fazendo, mas, como em todas as áreas, existem muitas formas de atuar profissionalmente e é preciso saber se o médico que escolhemos tem a ver com a forma como nós, mulheres gestantes, queremos realizar esse momento tão marcante e especial. Ao longo desses meses de gestação, acabei trocando mais uma vez de obstetra porque decidi ter meu filho de cócoras (ou em alguma posição vertical) e buscando a menor medicalização possível. Mas não pensem que isso é fácil. Além de ser uma decisão - por mais apoio que eu tenha de meu marido e de boa parte da minha família - da mulher e, portanto, solitária em certa medida, no Brasil, no setor público e no privado, sobretudo para quem como eu tem plano de saúde, não é fácil conseguir um médico disposto a encarar um parto normal natural (que pode durar muitas horas). Talvez mais difícil ainda seja encontrar um hospital preparado para receber uma gestante que quer fazer um parto que não seja uma cesárea e que seja, além de normal, natural. Mas a escolha por um parto normal, natural, humanizado tem a ver com o que acreditamos ser melhor para nós mesmas e para os(as) nossos(as) filhos(as) e é possível construir caminhos para chegar a essa maior autonomia e a uma opção que vai contra a corrente, levando em conta que o Brasil é, hoje, um dos países que mais fazem cesárea no mundo! Patricia Lanes Não quero colocar meu bebê em riscojulho de 2009
Sempre foi o sonho do meu marido ter filho. No fundo eu também queria, mas morria de medo de tudo, passando pelo fato da mudança radical de vida e do corpo, até como seria passar por uma gestação, pelo parto e pela educação de uma criança. Adiei a gravidez o máximo que pude e ela aconteceu assim, meio que de supetão. Quando ouvi pela 1a vez o coração batendo, a minha ficha caiu. Aos poucos, todos os medos que eu tinha passaram e a curtição foi total. O 1º trimestre foi ruim por causa dos enjoos e enxaqueca. Pensava "onde fui me meter!!!", mas depois que entrei no 2º trimestre, minha disposição voltou e tive uma vida normal até o final da gestação. Claro que normal de acordo com o tamanho da minha barriga! Quanto ao parto, sempre quis parto normal, não por causa da beleza e do encantamento do momento que muitos pintam de cor de rosa, mas sim pelo significado fisiológico do parto normal, tanto para a mãe quanto para o bebê. Como o próprio nome diz, é um processo normal, o organismo da mulher já está preparado para ele. Ainda assim, sabia que só conseguiria saber qual parto faria na reta final da gestação, pois a escolha depende da situação em que o bebê e o corpo da mãe se encontram. No meu caso, meu bebê está grande proque tive diabetes gestacional e minha bacia não tem passagem suficiente para ela. Não terei como escapar da cesárea. Não quero colocar meu bebê em risco. O conselho que dou às futuras mamães é: não se iludam com tudo o que dizem a respeito do parto normal. Claro, tentem ao máximo buscá-lo, mas nunca eliminem outras formas de parto no intuíto de preservar seu bebê e você também. Gabriela Fernandes Cesárea, experiência traumáticajulho 2009 Sou Isabel, servidora da ANS. Estou com 21 semanas de minha segunda gestação. Minha filha nasceu com 40 semanas por cesárea. Lutei muito para que a cirurgia não acontecesse. Contudo, por não ter formação na área da saúde e pouco conhecimento sobre o processo do parto, minha luta foi em vão. Por consequência, sofri de depressão pós-parto. Foram 15 dias chorando copiosamente, com minha filha no colo, tentando me aproximar dela. A sensação que tinha era de que a gravidez não havia acabado, como se minha filha ainda não tivesse nascido, pois ainda faltava algo. Faltava o parto, que não ocorreu. Além do abalo psicológico, sofri de muitas dores físicas. Tomava muitos comprimidos para alívio da dor, mas não surtiam efeito. Dormia encurvada para cima: duas almofadas nas costas e duas nas pernas. A dor era tão intensa que não permitia que eu me levantasse sozinha da cama. Meu marido tinha que levantar todo meu tronco para que eu não fizesse esforço abdominal. Após 52 dias sofrendo de dor, eu decidi não tomar mais remédios, já que de nada adiantavam e minha filha sofria muito de cólica. Talvez fosse por causa dos remédios. Minha primeira atitude foi me informar. Concluí que a grande maioria das cesáreas acontece por dois motivos: tempo e dinheiro. Um parto natural dura horas ou dias e o pagamento dos honorários médicos é pelo ato do nascimento e não pelo tempo gasto no processo. Minha cesárea aconteceu em 20 minutos e a médica recebeu a mesma remuneração que receberia se tivesse passado horas me acompanhando. Eles querem ganhar dinheiro, e pouco importa o bem-estar da mãe. Ciente de que havia sido enganada pela obstetra (uma pequena mancha d'água na calcinha já era bolsa rota), troquei de médico. Pesquisei muito, testei e ainda testo os médicos. Desconfio muito. Estou fazendo pré-natal com um médico com cujas ex-pacientes tive contato e confirmaram parto tranquilo, natural ou normal. Hoje, já não me enganam mais. Maria Isabel Moura de Deus - funcionária pública
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