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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou, no dia 11/12, no Auditório do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, mais uma reunião presencial do Parto Adequado, onde foram apresentadas as novas metodologias para o ciclo intensivo da Fase 2, quando serão consolidadas as mudanças testadas até aqui para que todas as maternidades no Brasil possam adotar tais mudanças para oferecer as gestantes uma experiência positiva e segura durante toda a sua gestação. Nesta fase, as metas para aumentar partos vaginais como experiência positiva e segura serão mais desafiadoras e focadas em cada Grupo de Robson (metodologia para classificação do risco obstétrico), ao invés de uma meta agregada para a população de menor risco obstétrico (Robson 1 a 4). Isso implicará em um engajamento ainda maior dos participantes.

Também foram apresentados resultados positivos já alcançados pela iniciativa até aqui e propostas que estão em discussão para as próximas fases, incluindo metas para disseminação do projeto nas maternidades públicas e privadas do Brasil e metodologia que será utilizada na Fase 3 cujo lema é: “Construindo um Movimento para a Saúde, Segurança e Equidade na Gestação e no Parto”.

A gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade Setorial da ANS, Ana Paula Cavalcante, apresentou uma visão global do projeto, destacando os resultados positivos já obtidos pela iniciativa, através de uma linha do tempo. Desde 2015, os hospitais participantes protagonizaram a criação de um novo modelo de assistência materno-infantil e evitaram a realização de 20 mil cesarianas desnecessárias. Ana Paula destacou as campanhas de comunicação realizadas para disseminar o projeto e incentivar gestantes e profissionais de saúde sobre os benefícios do parto normal e os riscos das cesáreas desnecessárias.

“O Brasil é o segundo no mundo com maior proporção nas realizações de cesarianas.  E exatamente por ser um grande desafio para um órgão regulador, a ANS não poderia estar ausente desta discussão tão importante.  Desde 2014, a Agência vem discutindo este tema e o Parto Adequado é um dos projetos mais exitosos da ANS e que nos enche de orgulho; mas precisamos avançar ainda mais, já que a proporção ainda é altíssima.  Por isso, precisamos fortalecer a parceria entre os principais agentes do setor para que avancemos além das maternidades e operadoras aderidas”, destacou Ana Paula, que também defendeu a mudança de paradigmas, a importância do ciclo intensivo da fase 2, as medidas que serão desenvolvidas para a ampliação do foco de ação e a importância da participação efetiva das mulheres, que evoluirá para um movimento nacional em larga escala.   

“Precisamos mudar cultura e, para isso, é necessário realizar uma coalizão entre os principais agentes do setor, como órgãos governamentais, Ministério Público, maternidades e profissionais de saúde.  É necessário o engajamento total das operadoras de saúde, já que as mesmas são as responsáveis pela gestão dos hospitais. Além disso, é fundamental fortalecer o protagonismo e empoderamento das mulheres em campanhas sobre qualidade e segurança do paciente com o foco na área obstétrica”, destacou Ana Paula.

Ainda na sua apresentação, a gerente anunciou a criação de uma certificação de boas práticas para operadoras e prestadores que se destacarem, específico para o Parto Adequado e destacou a menção honrosa do II Prêmio FGV Direito Rio - Melhores Práticas em Regulação, que a ANS recebeu pelo Projeto Parto Adequado em outubro.  

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Entendendo o ciclo intensivo da fase 2 do Programa Parto Adequado

Após a fala de Ana Paula Cavalcante, o Diretor do Institute for Healthcare Improvement (IHI) para a América Latina, Dr. Paulo Borem, apresentou aos presentes os detalhes sobre o ciclo intensivo da fase 2 do Programa Parto Adequado e sua importância para o crescimento da iniciativa. Dr. Borem destacou modelos de melhoria e metodologias a partir da Ciência da Melhoria, transferência de conhecimento e o apoio do instituto na elaboração de análise de dados, capacitação de profissionais e na implementação de indicadores.  Durante o ciclo intensivo, que terá a duração de 12 meses, 60 hospitais e 60 operadoras irão consolidar todo o aprendizado adquirido durante os quatro anos do Parto Adequado para a elaboração de um pacote de mudanças que comprovadamente pode resultar em aumento de partos vaginais como uma experiência positiva e segura e que possa ser adotado por 100% das maternidades brasileiras.

“A partir das aprendizagens dos últimos 4 anos, após ampla revisão das evidências científicas e modelos bem-sucedidos no mundo vimos a necessidade de refinar as mudanças já testadas para que as maternidades consigam realmente oferecer um cuidado de classe mundial a todas as suas gestantes”, explicou o diretor do IHI. Dr. Borem também anunciou que o projeto parto adequado será publicado em fevereiro em um jornal científico americano.  O artigo apresenta o estudo descritivo desenvolvido na fase 1 do Parto Adequado, que teve início em 2015 envolvendo 40 maternidades do Brasil.

Durante a reunião, representantes da Febrasgo – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e da Abenfo - Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras destacaram a importância do Programa Parto Adequado, enfatizando os desafios que as três entidades – ANS, Einstein e IHI no âmbito da mudança do modelo de assistência e reforçaram a importância da informação qualificada à gestante, com orientações para que tenha um parto seguro, a qualificação dos profissionais – médicos e enfermeiros obstétricos e obstetrizes, além da assistência compartilhada entre os profissionais.

Resultados positivos   

Linus Fascina, médico responsável pelo gerenciamento materno-infantil e pelo Projeto Parto Adequado no Hospital Albert Einstein, apresentou registros positivos que comprovam a eficácia da iniciativa, como o aumento no percentual de partos vaginais nos hospitais participantes e a queda de internações de bebês prematuros em UTI neonatal, associada a partos cesáreos sem indicação clínica durante a evolução do projeto.

As ações implementadas nos hospitais que integram o Parto Adequado promoveram a melhoria em indicadores de saúde de gestantes e recém-nascidos. Segundo dados da Fase 2, compilados entre 2017 e agosto de 2019, o percentual de partos normais nos hospitais participantes passou de 33% para 37% no período. Houve uma redução de 18% nas internações em UTI neonatal entre 2017 e 2019: o número caiu de 40 por 1000 nascidos vivos em 2017 para 33 por 1000 nascidos vivos em agosto de 2019. A estimativa é que o programa tenha contribuído até o momento para evitar mais de 20 mil cesarianas desnecessárias.

Linus destacou a importância do trabalho colaborativo entre hospitais e operadoras para a continuidade dos resultados positivos no refinamento da fase 2 do programa, priorizando o diálogo para a construção desse modelo, que apresentará metas mais rigorosas.

“Precisamos trabalhar de forma mais intensa e de forma simultânea com as operadoras de planos e hospitais, para que possamos ultrapassar as barreiras e desafios.  Por isso precisamos inovar e construir diálogos entre os stakeholders e metas mais rígidas para que possamos garantir a meta estipulada de redução no número de cesarianas desnecessárias”, explicou o médico, que anunciou a nova nomenclatura para o programa, que também terá financiamento por doações a partir de janeiro de 2020. 
“Como queremos prosseguir como ato contínuo e disseminá-lo para todo o Brasil, a partir da nova fase o programa se chamará Movimento do Parto Adequado e teremos a entrada de novos atores: empresas que poderão contribuir com a iniciativa através de doações”, comemorou.

Modelo de sustentabilidade para o Parto Adequado   

A diretora de Prática Assistencial, Qualidade e Segurança do Hospital Albert Einstein, Cláudia Garcia apresentou durante o encontro as novas formas para que a iniciativa seja perene e sustentável para que possa chegar à meta de 100% das maternidades brasileiras públicas e privadas.  Cláudia apresentou os custos necessários por cada unidade e explicou que 60% do valor será custeado pela operadora e pelo hospital participante e 40% virá de parcerias e doações que o Hospital Albert Einstein captará através de uma plataforma em seu site.   Neste refinamento do ciclo intensivo, estarão contempladas uma série de reuniões, oficinas e visitas programadas, treinamentos práticos de equipes, sessões de coaching individualizado e criação de plataforma para que os participantes possam trabalhar de forma transparente e eficaz.  Em sua apresentação, ratificou a necessidade do ciclo intensivo para o sucesso dos resultados positivos do Parto Adequado.

“Neste ciclo testaremos uma nova forma de metodologia e todo a experiência obtida nestes quatro anos nas diferentes formas de intervenções dentro das maternidades já inscritas.  Revisitaremos todo o processo e faremos uma grande rede de conhecimento para desenvolvermos um modelo que possa ser enquadrado em 100% das maternidades”, concluiu a diretora.

O Programa Parto Adequado

O Programa Parto Adequado é uma parceria da ANS com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI) que visa identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento, que valorizem o parto normal e reduzam o percentual de cesarianas sem indicação clínica na saúde suplementar. Objetiva, ainda, oferecer às mulheres e aos bebês o cuidado certo, na hora certa, ao longo da gestação, durante todo o trabalho de parto e pós-parto, considerando a estrutura e o preparo da equipe multiprofissional, a medicina baseada em evidência e as condições socioculturais e afetivas da gestante e da família.
Atualmente, a iniciativa conta com a participação de 109 hospitais e 62 operadoras de planos de saúde. 


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